A família junta a entrada, encontra a casa e acredita que o orçamento está fechado. Perto da assinatura, surgem registro, tributo, avaliação, certidões e outras despesas. O dinheiro reservado para móveis começa a desaparecer antes da mudança.
Isso acontece porque a palavra “entrada” costuma ser usada para representar apenas a parte do preço que não será financiada. A compra exige outros pagamentos, alguns obrigatórios e outros previsíveis.
1. Diferença entre preço e valor financiado
A primeira conta é simples:
preço do imóvel menos financiamento, subsídio e FGTS aceitos = recursos próprios para completar a compra.
Essa diferença pode mudar se a avaliação do banco ficar abaixo do preço negociado ou se o valor de FGTS e subsídio for diferente do simulado.
Exemplo: a família negocia uma casa por R$ 280.000. A proposta previa R$ 250.000 entre financiamento e benefícios. Os R$ 30.000 restantes são parte da entrada. Tributos e registro ficam fora dessa conta, salvo condição expressamente prevista.
2. ITBI
O Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis é municipal e costuma incidir na compra. Base de cálculo, alíquota, isenções, descontos e momento de pagamento dependem da legislação local e da operação.
Em Dourados, confirme o cálculo diretamente com o município ou com o profissional responsável pela documentação. Não use a alíquota de outra cidade como referência final.
Para estimar corretamente, pergunte:
- qual valor será usado como base;
- se existe benefício para o seu enquadramento;
- quando a guia deve ser paga;
- por quanto tempo ela é válida;
- o que ocorre se o contrato mudar.
3. Registro do contrato no Cartório de Registro de Imóveis
Assinar o contrato não transfere o imóvel sozinho. O título precisa ser registrado na matrícula competente.
Os emolumentos seguem tabelas estaduais e variam conforme valor, atos realizados e enquadramento. Algumas operações podem ter redução legal, mas o cartório precisa confirmar se o caso atende aos requisitos.
Peça uma prévia baseada na minuta ou nas informações reais da operação. Estimativas genéricas podem ficar distantes do valor final.
4. Avaliação e análise da garantia
A instituição financeira pode cobrar tarifa de avaliação do imóvel ou análise técnica. Em terreno e construção, podem existir custos relacionados à análise do projeto, acompanhamento da obra, reprogramação ou medições, conforme tabela e contrato.
Pergunte antes da proposta:
- qual tarifa é cobrada no início;
- em que situação há nova cobrança;
- se o valor é devolvido quando a operação não é contratada;
- quais despesas surgem durante a fase de obra.
5. Certidões e documentos
Matrícula atualizada, certidões, reconhecimentos, autenticações, procurações e regularizações podem gerar custos.
Em uma operação simples, esses valores parecem pequenos quando vistos separadamente. Somados, ocupam uma parte importante da reserva.
Evite emitir documentos antes de receber a lista correta, porque alguns possuem prazo de validade.
6. Despesas específicas de terreno e construção
Quem financia uma obra precisa considerar uma camada adicional:
- levantamento e estudo do terreno;
- projeto arquitetônico;
- projetos complementares;
- aprovações e alvarás;
- ART ou RRT;
- sondagem, quando necessária;
- orçamento e cronograma;
- ligações provisórias;
- instalações de canteiro;
- regularização e averbação ao final.
Alguns itens podem estar incluídos no contrato da construtora. Outros são pagos diretamente pelo cliente. A proposta deve dizer claramente o que está dentro do preço.
Um orçamento seguro separa preço da casa, despesas da contratação e custos para começar a usar o imóvel.
Equipe técnica da Sollievo Engenharia
7. Fluxo de caixa durante uma construção financiada
Na construção, o banco libera recursos conforme a evolução medida. A obra, porém, precisa comprar material e contratar mão de obra antes de cada medição.
Pode existir um intervalo entre:
- pedido do material;
- pagamento do fornecedor;
- execução do serviço;
- solicitação da medição;
- vistoria;
- liberação do dinheiro.
A família e a construtora precisam saber quem sustenta esse intervalo. Sem planejamento, a obra desacelera mesmo com financiamento contratado.
8. Seguros e encargos da prestação
A prestação não é formada apenas por juros e amortização. Financiamentos habitacionais incluem seguros e podem ter outros encargos previstos no contrato.
Analise:
- primeira prestação;
- evolução esperada;
- seguros;
- indexador;
- tarifas recorrentes, quando houver;
- Custo Efetivo Total.
Esses valores pertencem ao orçamento mensal, não ao dinheiro da entrada.
9. Mudança e ocupação
Receber as chaves abre uma nova lista:
- frete;
- desmontagem e montagem de móveis;
- instalação de internet;
- ligação ou transferência de água e energia;
- gás, quando aplicável;
- cortinas e itens de privacidade;
- luminárias e equipamentos não incluídos;
- pequenos ajustes;
- limpeza;
- depósito ou multa do imóvel alugado anterior.
Móveis planejados podem esperar. Segurança, iluminação, chuveiro, geladeira e itens básicos precisam estar previstos.
10. Reserva para os primeiros meses
A compra da casa não deveria zerar a reserva de emergência. Depois da mudança, podem ocorrer despesas com saúde, veículo, trabalho e manutenção doméstica.
Também é comum o orçamento mensal aumentar com:
- condomínio;
- IPTU;
- consumo de energia e água;
- deslocamento;
- seguro residencial;
- manutenção de quintal e equipamentos.
Uma prestação que cabe no papel pode ficar apertada quando esses custos entram juntos.
Como calcular sua reserva
Monte quatro blocos:
Bloco A — Completar o preço
- entrada em dinheiro;
- diferença causada pela avaliação;
- sinal já pago;
- FGTS ou subsídio ainda não confirmados.
Bloco B — Contratação
- ITBI;
- registro;
- avaliação;
- certidões;
- tarifas e documentos.
Bloco C — Imóvel pronto para uso
- projetos e regularização, se houver obra;
- ligações;
- mudança;
- itens básicos;
- reparos ou adaptações permitidas.
Bloco D — Segurança
- reserva de emergência;
- margem para variação de valores;
- primeira prestação e despesas do mês da mudança.
Perguntas frequentes
Posso financiar o ITBI e o registro?
Depende da linha e da composição da operação. Não presuma que estarão incluídos. Confirme na simulação e no contrato.
O FGTS pode pagar todas as despesas?
O uso para moradia segue finalidades e regras específicas. Saldo de FGTS não funciona como dinheiro livre para cartório, mudança ou móveis.
Quanto reservar em percentual?
Um percentual único pode enganar, porque ITBI e registro variam e uma construção possui custos diferentes de uma casa pronta. Calcule item por item e acrescente margem.
Quem informa o valor exato do registro?
O Cartório de Registro de Imóveis competente, com base no título, valor e enquadramento.
Fontes para conferir condições
- Perguntas frequentes sobre financiamento habitacional — Caixa
- Documentação de construção e reforma — Caixa
- Calculadora do Cidadão — Banco Central
Antes de definir a entrada, monte a conta completa. Para receber uma estimativa organizada de terreno, projeto, obra e documentação, fale com a Sollievo.